Glossário

Capacidade adaptativa: Está relacionada à habilidade do sistema socioecológico de se ajustar aos impactos causados por um distúrbio ou ao seu potencial de danos, aproveitando as oportunidades e conseguindo lidar com as consequências das transformações que ocorram (DI GIULIO, MARTINS E LEMOS, 2016). No AdaptaBrasil MCTI, esses distúrbios são causados por perturbações climáticas.

Cenário climático: É uma representação plausível do clima futuro, construída para uso explícito na investigação dos impactos das mudanças climáticas antropogênicas (decorrentes das atividades humanas). Os cenários climáticos são construídos a partir de projeções climáticas (descrições de respostas dos modelos climáticos a diferentes concentrações de gases de efeito estufa e aerossóis) combinadas com os dados climáticos observados (IPCC, 2013).

Chuvas intensas: Chuvas intensas são consideradas perturbações climáticas quando sua frequência e duração causam enchentes, inundações e deslizamentos de terra, por exemplo, provocando efeitos negativos no sistema socioecológico, tais como danos materiais, mortes de pessoas e animais, e perdas de safra pelo excesso de água, nas áreas sujeitas à acumulação e passagem temporária das águas superficiais (MARENGO, 2010). 

Composição: No AdaptaBrasil MCTI, refere-se ao conjunto de índices ou indicadores usados diretamente no cálculo do índice ou indicador selecionado. Por exemplo, para o tema Água, o Índice de Impacto para a Seca usa os índices de Vulnerabilidade, Exposição e Perturbação Climática na sua composição.

Eventos climáticos extremos: Popularmente conhecido como desastre natural, um evento climático extremo resulta em uma séria alteração no funcionamento normal de uma comunidade ou sociedade, afetando seu cotidiano. Essa modificação abrupta envolve, simultaneamente, perdas materiais e econômicas, assim como danos ao ambiente e à saúde das populações por meio de agravos e doenças que podem causar mortes imediatas e posteriores. Uma ocorrência do gênero torna o grupo afetado incapaz de lidar com a situação utilizando os próprios recursos, o que pode ampliar os prejuízos para além do lugar de sua eclosão. Os eventos climáticos extremos são geralmente classificados como de origem hidrológica (inundações bruscas e graduais, alagamentos, enchentes e deslizamentos); geológicos ou geofísicos (processos erosivos, de movimentação de massa e deslizamentos resultantes de processos geológicos ou fenômenos geofísicos); meteorológicos (raios, ciclones tropicais e extratropicais, tornados e vendavais); e climatológicos (estiagem e seca, queimadas e incêndios florestais, chuvas de granizo, geadas e ondas de frio e de calor). (OBSERVATÓRIO DE CLIMA E SAÚDE, 2009).

Exposição: No AdaptaBrasil MCTI, é o grau, duração e/ou extensão do contato do sistema socioecológico com a perturbação climática, por exemplo, um período de chuvas intensas ou de seca. É um conceito que relaciona o ambiente de análise com a perturbação. A exposição a uma perturbação particular pode ser existir independentemente da vulnerabilidade do sistema socioecológico (GALLOPÍN, 2003; KASPERSON et al., 2005; ADGER, 2006, IPCC, 2014).

Fatores Influenciadores: No AdaptaBrasil MCTI, refere-se à contribuição, em percentual, dos indicadores simples e sua consequente influência na composição do índice ou indicador selecionado. Alguns indicadores simples podem estar relacionados à tomada de decisão e políticas públicas, com o objetivo de reduzir o impacto das mudanças climáticas na temática selecionada. Por exemplo, o Índice de Exposição para Seca possui como Fatores Influenciadores a Pupulação Residente, o Isolamento da População, a Cobertura Vegetal em APPs, Água no Solo e Áreas Antropizadas ou Impermeáveis. Note que o exemplo mostra o município Barrra/BA, mas todos os demais municípios possuem os mesmos fatores influenciadores para este indicador, cada um com suas próprias porcentagens.

Indicador: É uma ferramenta que permite a obtenção de informações quantificáveis sobre uma dada realidade (MITCHELL, 1996) - um serviço, um insumo, um resultado, uma característica ou o desempenho de um produto, processo ou organização, gerando informações úteis à tomada de decisões (OCS, 2018). Pode ser um dado individual ou um agregado de informações (MUELLER et al., 1997). No AdaptaBrasil MCTI, os indicadores simples referem-se a informações diretamente obtidas do mundo real, sendo muitos deles passíveis de intervenções através da implementação de políticas públicas. Os indicadores compostos são abstratos, integrando informações de diferentes fontes.

Índice: É um valor agregado final de todo um procedimento de cálculo que inclui indicadores entre as variáveis o compõem (SICHE; ORTEGA, 2005). Um índice combina informações não comparáveis entre si. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo, é composto a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) coletados em nível nacional. No AdaptaBrasil MCTI, os índices de impacto são uma composição a partir de três outros índices: Vulnerabilidade, Exposição e Perturbação Climática. O Índice de Impacto para a Seca é um exemplo para o tema Água.

Perturbação Climática: São eventos climáticos extremos que se prolongam no tempo além do que seria considerado normal dentro da variabilidade do sistema socioecológico (GALLOPÍN, 2006). Estiagens, chuvas intensas e ondas de calor são exemplos de perturbações climáticas. Considerando o risco de impacto das mudanças climáticas, as perturbações climáticas se configuram como uma ameaça à região analisada. As perturbações podem agir externa ou internamente, ou ambos, dependendo da escala definida para o sistema socioecológico em análise (TURNER et al., 2003; KASPERSON et al., 2005). No AdaptaBrasil MCTI, o termo perturbação é utilizado para denotar os processos externos (considerando a escala local como foco de investigação – município, estado, região e/ou nação) especificamente climáticos que interagem com o ambiente de análise e que possuem capacidade de transformação significativa no sistema socioecológico, seja ela lenta ou repentina.

RCPs: Caminhos de Concentração Representativos (Representative Concentration Pathways, em inglês). Utilizado no Quinto Relatório de Avaliação (AR5) do IPCC, referem-se às séries temporais de emissões e concentrações dos gases de efeito de estufa (GEE), aerossóis e gases quimicamente ativos, bem como uso e cobertura dos solo. A palavra representativo significa que cada RCP oferece apenas um de muitos cenários possíveis que levariam a caraterísticas específicas do forçamento radiativo. O termo caminho enfatiza que não só os níveis de concentração a longo prazo são de interesse mas também a trajetória tomada ao longo do tempo para alcançar esse resultado. Os RCPs geralmente se referem ao caminho de concentração que se estende até 2100, para os quais os Modelos de Avaliação Integrada produzem cenários de emissões correspondentes (IPCC, 2014). Para o AdaptaBrasil MCTI, foram selecionados os cenários RCP 4.5 0 (cenário otimista) e RCP 8.5 (cenário pessimista). RCP4.5 é um caminho de estabilização intermediário em que o forçamento radiativo está estabilizado a aproximadamente 4,5W/m2  e 6,0W/m2 após 2100 (o RCP correspondente assume emissões constantes após 2150) [IPCC, 2014]. RCP8.5 é um caminho elevado para cada forçamento radiativo e superior a 8,5 W/m2 em 2100 e continua a aumentar durante algum tempo (o RCP correspondente assume emissões constantes após 2250) [IPCC, 2014]. 

Recorte: No AdaptaBrasil MCTI, um recorte é uma área geográfica cujos resultados de um determinado índice ou indicador serão visualizados. O menor recorte possível é uma microrregião, enquanto que o maior recorte possível é todo o território brasileiro. Também são disponibilizados os recortes por região, estado e mesorregião.

Resolução: No AdaptaBrasil MCTI, a resolução diz respeito ao nível de agregação dos resultados. O nível mais desagregado é o municipal, usado no desenvolvimento de todos os indicadores e índices disponíveis na plataforma. As demais resoluções disponíveis incluem microrregião, mesorregião, estado e região. Nestes casos, os resultados exibidos são médias simples dos municípios que compõem cada objeto geográfico. Por exemplo, para uma resolução por estado, o valor de um indicador para a Bahia será a média deste indicador para todos os 417 municípios do estado.

Risco de impacto: É o resultado da interação de perigos climáticos, pela exposição de sistemas socioecológicos a eles, com a vulnerabilidade desses sistemas. Assim, o risco diz respeito às consequências que podem ocorrer em determinado ambiente exposto e quando o resultado é incerto. É comumente representado como a probabilidade de ocorrência de um evento (perigo) multiplicada pelos impactos por ele causados (IPCC, 2014). Pela própria característica multidisciplinar dos impactos, cada a metodologia de avaliação do risco não somente considera as variáveis relacionadas ao clima, bem como os déficits estruturais que a própria vulnerabilidade forma, como, por exemplo, aspectos relacionados à educação, à saúde, à habitação, acesso às políticas públicas etc.

Seca: É definida como um período prolongado de tempo - uma estação, um ano ou vários anos - de precipitação deficiente, em comparação à média estatística histórica para uma região. Ela resulta em escassez de água para alguma atividade, grupo ou setor ambiental. A seca é considerada uma perturbação climática (FAO/NDMC, 2008).

Segurança Alimentar: Consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Esta segurança tem como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis (BRASIL, 2006; IPCC, 2014).

Segurança Energética: No contexto microeconômico ou regional, é a capacidade que famílias e empresas têm de suportar interrupções de fornecimento de energia. No contexto macroeconômico ou nacional, o conceito enfatiza a importância do preço, do acesso, da disponibilidade, da acessibilidade, da continuidade e da manutenção de suprimentos de energia que são geopoliticamente confiáveis, sustentáveis e seguros (BURKE, PARTHEMORE, 2008; IPCC, 2014; OECD/IEA, 2007; STALEY et al., 2009). 

Segurança Hídrica: É a garantia que todos devem ter, de acesso a água suficiente, de qualidade e a um custo acessível, para manter uma vida limpa, saudável e produtiva, em um ambiente protegido e valorizado (BRASIL, 2009; GWP, 2014; IPCC, 2014). 

Sensibilidade: Refere-se ao grau em que um sistema socioecológico é afetado, adversamente ou beneficamente, por efeitos relacionados ao clima, de forma direta ou indireta. A sensibilidade é uma propriedade inerente a um sistema socioecológico, existente antes da perturbação e independente (separada) da exposição (IPCC, 2001; GALLOPÍN, 2003). Por exemplo, o município de Itaguaçu da Bahia/BA possui uma alta Sensibilidade para Seca no tema Água.

Sistema Socioecológico: Diz respeito ao sistema que incorpora dimensões sociais (humanas) e ecológicas (biofísicas) em interação mútua (GALLOPÍN, 1991). Pode ser estabelecido em qualquer escala, desde a comunidade local e seu ambiente circundante até a global, envolvendo todo o planeta. (GALLOPÍN, 2006). No AdaptaBrasil MCTI, o sistema socioecológico considera todo o território brasileiro, levando em conta os aspectos sociais e ecológicos mais relevantes para cada temática (Água, Alimentos e Energia e os riscos de impacto em situações de Seca e Chuva).

Vulnerabilidade: Na temática das mudanças climáticas, trata-se da suscetibilidade potencial a danos, para uma mudança ou uma transformação do sistema socioecológico em análise, quando confrontado com uma determinada perturbação climática, e não o resultado desse confronto. A vulnerabilidade é considerada como específica das perturbações climáticas que afetam um determinado sistema socioecológico. Em outras palavras, um sistema socioecológico pode ser vulnerável a certos distúrbios e não a outros. Além disso, a vulnerabilidade está vinculada às situações de sensibilidade e capacidade adaptativa do sistema socioecológico em análise (GALLOPÍN, 2006). Por exemplo, o município de São Gabriel/BA possui alta Vulnerabilidade para Seca no tema Água, decorrente de uma alta Sensibilidade e baixa Capacidade Adaptativa.