Saúde

A saúde de uma população está associada aos seus determinantes sociais e ambientais, o que inclui as características climáticas de uma determinada região (Krieger, 2001). O Setor Estratégico de Saúde está diretamente associado aos direitos elementares das pessoas, sendo inclusive um direito destacado pela Constituição Federal Brasileira de 1988. Em relação às mudanças climáticas e seus impactos sobre a saúde humana, a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2021) tem destacado a necessidade de direcionar avaliações e subsídios às políticas e programas no setor saúde para apoiar a tomada de decisão, inclusive do setor público, como tem sido realizado pelo AdaptaBrasil MCTI.

A identificação e mensuração dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população brasileira deve se basear, não somente nos desfechos de importância epidemiológica no país, mas também naqueles que apresentam sensibilidade a variação das condições climáticas, como temperatura, precipitação, e umidade relativa do ar. As doenças transmitidas por vetores representam grande parcela da carga de doenças transmissíveis no Brasil, principalmente as arboviroses, sendo diretamente associadas às variáveis climáticas (Sousa et al, 2016). Adicionalmente, estas doenças apresentam forte associação com os determinantes sociais da doença, representados por variáveis econômicas, políticas e ambientais que interferem nas condições de vida da população exposta podendo promover políticas eficientes de controle dos vetores. Em vista destes fatores, a doença selecionada para integrar a primeira versão do Setor Saúde do AdaptaBrasil MCTI foi a Malária.

Para o AdaptaBrasil MCTI, a avaliação de risco de impacto ocasionado pelas mudanças climáticas no Setor Saúde considera , em relação às ameaças climáticas, as alterações da temperatura máxima média, precipitação acumulada e umidade relativa do ar. Estes valores foram estimados em escala municipal e ponderadas de acordo com os biomas brasileiros Na sensibilidade, os indicadores associam-se a (1) suscetibilidade social, considerando aspectos do desenvolvimento socioeconômico do município; (2) mobilidade populacional, considerando aspectos resultante de atividades turísticas e movimentos migratórios e ao (3) perfil epidemiológico da malária, que apresenta especificidades de acordo com sua etiologia e disponibilidade de dados de notificação da doença. A capacidade adaptativa  está relacionada à organização do sistema de saúde em escala municipal para responder às emergências sanitárias das doenças transmitidas por vetores, assim como promover ações de controle e monitoramento da malária. Deste modo, a capacidade adaptativa se refere à estrutura de acesso aos serviços de vigilância e de assistência à saúde do município. Na exposição, os indicadores temáticos relacionam-se à malha rodoviária e ao uso e ocupação do solo. Ambos indicadores se referem às alterações no ambiente natural e socioeconômico que favorecem a criação, reprodução e dispersão de vetores em áreas onde a malária é endêmica, assim como a introdução da doença em áreas não endêmicas.

Para conhecer os Índices e Indicadores de Saúde referentes à Malária para as ameaças climáticas de Temperatura, Precipitação e Umidade Relativa para o Brasil, clique aqui.